
Lançado originalmente durante a era do PlayStation 3, Tales of Xillia marcou um momento importante para a franquia da Bandai Namco, funcionando como uma tentativa clara de modernizar seus sistemas sem abandonar a identidade construída ao longo dos anos. Com Tales of Xillia Remastered, o jogo retorna às plataformas atuais com melhorias pontuais de desempenho e ajustes de qualidade de vida, colocando à prova o quanto suas ideias ainda se sustentam fora do contexto da sétima geração e se esse retorno vai além de um simples resgate nostálgico.
História
A narrativa se passa em Rieze Maxia, um mundo sustentado pela convivência entre humanos e espíritos, onde a mana é essencial para o equilíbrio da sociedade. Esse sistema começa a ruir quando o reino de Rashugal passa a conduzir experimentos que ameaçam essa fonte vital, dando início a um conflito que envolve disputas políticas, interesses militares e questões espirituais que se revelam mais complexas conforme a jornada avança.

Logo no início, o jogador escolhe entre dois protagonistas. Jude Mathis, um estudante de medicina ainda inseguro sobre seu papel no mundo, ou Milla Maxwell, a Senhora dos Espíritos, guiada por uma visão mais direta e pragmática dos acontecimentos. Embora a trajetória principal seja compartilhada, cada escolha altera a perspectiva da história, revelando diálogos e situações exclusivas que ajudam a compreender melhor o conflito central e o desenvolvimento dos personagens.
Gameplay
O combate em Tales of Xillia utiliza o Dual Raid Linear Motion Battle System, apostando em batalhas em tempo real que exigem posicionamento, leitura de cenário e cooperação constante entre os membros do grupo. O Link System permite conectar dois personagens, ativando bônus passivos e liberando ataques combinados, o que incentiva o uso estratégico do elenco e a alternância entre formações durante os confrontos.

Cada personagem possui um estilo próprio, como a mobilidade rápida de Jude ou as artes mais focadas em controle de Milla. A progressão acontece por meio do sistema Lilium Orb, que libera habilidades, atributos e bônus passivos em uma estrutura em forma de teia, permitindo ajustes graduais nas builds ao longo da campanha sem impor caminhos rígidos ao jogador.

Desempenho
Tales of Xillia Remastered apresenta avanços claros em relação à versão original de PlayStation 3, especialmente no desempenho geral e nos tempos de carregamento. Nas plataformas mais potentes, como PlayStation 5 e Xbox Series X|S, o jogo roda a 60 quadros por segundo de forma estável, com carregamentos quase instantâneos e uma resposta muito mais ágil tanto na exploração quanto nas batalhas, melhorando bem o ritmo da experiência.
No Nintendo Switch, o jogo opera a 30 FPS, com resolução mais baixa e quedas ocasionais de desempenho em áreas mais abertas e cidades, além de carregamentos mais longos. Ao ser executado no Switch 2 via retrocompatibilidade, parte desses problemas é suavizada, com maior estabilidade e tempos de loading reduzidos, mas o limite de 30 FPS permanece e a qualidade de imagem continua abaixo das demais versões. No PC, apesar de rodar a 60 FPS, o remaster não oferece suporte a ultrawide, mantendo proporções fixas de tela.
Gráficos e Áudio
Visualmente, o remaster preserva a identidade original do jogo, com personagens expressivos e cutscenes animadas pelo estúdio Ufotable, que mantêm um bom nível de qualidade mesmo com o passar do tempo. A resolução mais alta e a maior estabilidade ajudam a valorizar o estilo anime da franquia, embora os mapas de exploração evidenciem limitações claras, com cenários amplos, porém vazios e repetitivos.




A trilha sonora acompanha bem o ritmo da aventura, reforçando momentos de tensão, drama e leveza sem exageros. As composições ajudam a dar personalidade aos cenários e às batalhas, funcionando como um complemento consistente para a experiência.
Conclusão
Tales of Xillia Remastered resgata um JRPG importante da era do PlayStation 3 com ajustes técnicos que melhoram o ritmo da experiência sem alterar sua base original. A estrutura de combate e a condução narrativa continuam funcionando dentro do que o jogo se propõe, e mesmo com limitações claras, escolhas conservadoras no relançamento e a ausência de localização em português, a jornada ainda se sustenta e justifica seu retorno às plataformas atuais.
Tales of Xillia Remastered
Historia - 8.5
Gameplay - 8.5
Gráficos - 8.5
Áudio e trilha-sonora - 8.5
8.5
Muito Bom
Tales of Xillia Remastered resgata um JRPG consistente da era do PS3 com ajustes pontuais de desempenho e qualidade de vida, mas segue limitado por escolhas conservadoras e pela ausência de localização em português.

