Review: Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International

Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International reforça a identidade de um dos JRPGs mais particulares já produzidos pela Square Enix, resgatando um título lançado originalmente em 1992 no Super Famicom e reimaginado em 3D no PlayStation 2 em 2005. Esta edição é baseada no remaster lançado em 2022 e relançado em 2025 com suporte ampliado a alguns idiomas ocidentais, sem alterações estruturais nos sistemas ou no conteúdo. A ausência do português segue como um ponto negativo para parte do público, mas fora isso o jogo permanece fiel à filosofia da franquia SaGa, apostando em liberdade total, experimentação constante e progressão guiada pelas escolhas do jogador.

História

A história se passa no mundo de Mardias, criado pelo deus Marda, e gira em torno do enfraquecimento do selo que aprisiona Saruin, uma entidade derrotada mil anos antes com o sacrifício do herói Mirsa. Esse pano de fundo estabelece o tom da aventura, mas não assume um papel central na progressão.

Ao escolher um entre oito protagonistas, cada um com origens e pontos de partida distintos, o jogador recebe apenas um breve contexto inicial antes de ganhar total liberdade. A narrativa se constrói de forma fragmentada, por meio de eventos opcionais, diálogos com NPCs e subquests descobertas ao acaso, reforçando a sensação de uma jornada personalizada desde o início. Ainda assim, mesmo com este relançamento, o jogo segue sem qualquer suporte ao idioma português, o que compromete parte do acesso para o público brasileiro.

Gameplay

O Free Scenario System define toda a experiência de Romancing SaGa -Minstrel Song-, estruturando a progressão de forma completamente aberta após a introdução inicial. Praticamente todo o conteúdo do jogo se torna opcional, sem uma separação clara entre missões principais ou secundárias, fazendo com que o avanço dependa exclusivamente das decisões do jogador, do caminho que escolhe seguir e dos eventos que acaba encontrando de forma orgânica ao explorar o mundo, reforçando a sensação de jornada personalizada e pouco previsível.

Esse modelo é sustentado pelo Event Rank, um contador que avança conforme o número de batalhas vencidas e influencia diretamente o comportamento do mundo ao redor, já que novos eventos podem surgir enquanto outros deixam de estar disponíveis e os inimigos se tornam progressivamente mais fortes. O combate em turnos abandona a progressão tradicional baseada em níveis e aposta em um sistema de evolução orgânica ligado ao uso constante de armas e magias, com personagens aprendendo novas técnicas durante os confrontos de forma imprevisível, enquanto a gestão de recursos se torna parte central da experiência por meio de BP, desgaste de equipamentos via DP e o uso de LP introduzindo o risco real de morte permanente.

Quando esses sistemas começam a se encaixar, a sensação de progresso passa a vir menos de números visíveis e mais da compreensão de como montar um grupo eficiente e lidar com situações adversas, mesmo que a curva de aprendizado permaneça elevada. O jogo exige atenção constante, experimentação e aceitação de erros, especialmente para jogadores menos familiarizados com a proposta da franquia, já que decisões mal planejadas podem impactar diretamente o ritmo da campanha.

As melhorias de qualidade de vida introduzidas no remaster ajudam a tornar essa complexidade mais administrável sem alterar a essência do jogo. O modo rápido acelera combates e deslocamentos, a interface reformulada facilita a leitura de informações importantes e o marcador visível do Event Rank permite compreender melhor o impacto das ações do jogador, embora o título continue sendo pouco guiado e mantenha sua natureza exigente.

Desempenho

As mudanças de desempenho em Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered ficam mais claras quando comparadas às versões anteriores da franquia. No original de Super Famicom, o ritmo da experiência era naturalmente limitado pelo hardware da época, com transições frequentes entre telas, carregamentos perceptíveis e navegação mais lenta nos menus, o que tornava o fluxo geral mais truncado durante longas sessões de exploração.

O remake em 3D lançado no PlayStation 2 trouxe ganhos visuais importantes, mas introduziu novas limitações técnicas que afetavam diretamente o conforto da experiência. Os tempos de carregamento eram mais longos, a taxa de quadros apresentava oscilações em áreas mais complexas e o ritmo das batalhas era mais cadenciado, o que tornava sequências com muitos confrontos consecutivos mais arrastadas, mesmo sem comprometer o funcionamento dos sistemas centrais.

No remaster, essas limitações foram amplamente corrigidas, resultando em uma experiência mais fluida e estável. A taxa de quadros se mantém consistente durante exploração e combates, os tempos de carregamento foram reduzidos e a resposta dos menus se tornou imediata, impactando positivamente o ritmo geral do jogo. O modo rápido introduzido nesta versão permite acelerar animações, deslocamentos e batalhas, reduzindo o tempo gasto em tarefas repetitivas sem interferir na lógica dos sistemas ou no equilíbrio da progressão.

Outro ajuste relevante está na penalidade ao fugir de batalhas, agora menos severa do que no remake de PS2, o que oferece maior controle sobre o avanço do Event Rank e reduz frustrações causadas por confrontos desnecessários. A navegação mais ágil pelos menus e a possibilidade de guardar uma quantidade maior de itens sem complicações também contribuem para reduzir interrupções durante a exploração, deixando o ritmo da experiência mais fluido. Deixnaod o remaster como a versão mais confortável do jogo até hoje, mesmo sem alterações técnicas adicionais no relançamento de 2025, que se limita à expansão do suporte a alguns idiomas.

Gráficos e Áudio

Visualmente, Romancing SaGa -Minstrel Song- mantém a estética 3D introduzida no remake de PlayStation 2, com personagens e cenários estilizados que priorizam identidade visual em vez de realismo. A atualização em alta definição melhora a nitidez geral e reduz parte das limitações da versão original, mas não esconde a idade do game, que ainda apresenta modelos simples, texturas pouco detalhadas e algumas bordas serrilhadas, especialmente em áreas mais abertas.

No áudio, a trilha sonora composta por Kenji Ito segue como um dos pontos mais consistentes do jogo, acompanhando bem tanto a exploração quanto os combates. As músicas variam entre temas mais contidos nas cidades e faixas mais intensas nas batalhas contra chefes, ajudando a sustentar o clima da aventura, enquanto a dublagem em inglês e japonês complementa a ambientação.

Conclusão

Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International é um bom jogo e mantém sua proposta baseada em liberdade total e sistemas profundos, agora com melhorias que tornam a experiência mais fluida do que nas versões anteriores. O relançamento de 2025 não traz mudanças estruturais e se limita à adição de novos idiomas, enquanto a ausência de português pesa contra. Ainda assim, trata-se de uma experiência sólida para quem busca um JRPG não linear e exigente.

Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International

Historia - 6.5
Gameplay - 7
Gráficos - 6.8
Áudio e trilha-sonora - 7.5

7

Bom

Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International é um JRPG bom e a versão remastered representa a melhor forma de jogá-lo. A ausência de português pode pesar contra, mas a experiência segue sólida para quem busca algo diferente dentro do gênero.

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