
Sushi Ben se destaca primeiro pela personalidade. A versão de PC tira a aventura do VR e amplia o acesso à cidade de Kotobuki, mantendo a proposta de slice of life com humor exagerado e visual que mistura cenários 3D com linguagem de mangá. O charme permanece, mas a adaptação também expõe limitações de acabamento e escolhas de interação herdadas do uso de controles de movimento.
História
A narrativa acompanha a chegada do protagonista a Kotobuki e seu envolvimento na tentativa de manter o Daruma-Zushi funcionando enquanto um grupo imobiliário pressiona a cidade. Ben, aprendiz que ficou responsável pelo restaurante, serve como ponto central para a progressão da trama, que se desenvolve a partir do contato com os moradores locais.

O roteiro aposta em humor exagerado e situações absurdas para apresentar os personagens, funcionando melhor quando foca nessas histórias menores e no senso de comunidade. Quando tenta sugerir conflitos maiores ou mistérios em segundo plano, o jogo não desenvolve essas ideias com a mesma consistência, resultando em um encerramento que resolve o básico, mas deixa pontas soltas.
Gameplay
O loop é baseado em conhecer um personagem, resolver um pedido e trazer essa pessoa para o restaurante, com minigames que variam conforme o tipo de tarefa. Pesca, captura de insetos, combate e contenção de espíritos, provas de mira e outras atividades aparecem como intervalos curtos, com comandos simples e foco em execução rápida.

O ponto mais delicado é que a experiência ainda carrega muito do esqueleto de VR. Em primeira pessoa, a exploração é agradável e a cidade tem um desenho competente, com escadarias, caminhos sinuosos e uma geografia que ajuda a memorizar o espaço. Só que muitas interações foram idealizadas para gerar sensação tátil com controles de movimento, e no mouse e teclado a resposta é menos satisfatória. Certas ações dependem de uma precisão que não combina com a falta de feedback físico, o que torna alguns minigames menos naturais do que deveriam ser.

Além disso, os problemas técnicos pesam. Bugs que atrapalham gatilhos de missão, eventos que não disparam direito, personagens fora do lugar e situações que exigem recarregar um checkpoint aparecem com frequência maior do que o aceitável.
Gráficos e Áudio
Visualmente, Sushi Ben é muito consistente. O estilo low poly com cores fortes e a apresentação em painéis que lembram mangá dão identidade imediata, e Kotobuki tem um charme próprio, com mar, ruas estreitas e pontos marcantes que criam senso de lugar. A direção artística faz o trabalho de manter a curiosidade viva mesmo quando a cidade não oferece tanta interação fora do roteiro.



No áudio, as dublagens em inglês e japonês funcionam bem com o tom caricato do elenco, ajudando a sustentar o humor por meio de timing e interpretação. Em contrapartida, erros de texto e deslizes de apresentação surgem com certa frequência, destoando da proposta de um jogo que busca se apresentar como um mangá jogável.
Conclusão
Sushi Ben conquista pelo clima e pelo elenco, com uma cidade bonita, personagens memoráveis e uma história que funciona melhor quando abraça o cotidiano exagerado e o senso de comunidade. Fora do VR, o jogo ainda carrega escolhas de design herdadas da versão original, e os bugs acabam atrapalhando o fluxo da experiência. Para quem busca um slice of life curto, colorido e cheio de situações absurdas, há valor aqui, mesmo com a sensação de que faltou mais polimento para atingir todo o seu potencial.
Sushi Ben
Historia - 6.5
Gameplay - 6.3
Gráficos - 7
Áudio e trilha-sonora - 7.5
6.8
Legal
Sushi Ben entrega um slice of life carismático, com visual marcante e personagens cheios de personalidade, sendo uma boa opção para quem busca uma experiência leve e focada em clima.

